Filler 26 – Perdido no Labirinto
Habaki Nagatsu
Estava zonzo, pelo meu nariz passava um odor termal tal e qual como a temperatura do ar, estava morna. Um cheiro a éter e as costas bem repousadas num sítio acolchoado fez-me perceber que estava num hospital. Abri os olhos lentamente, estava enevoado mas iam melhorando aos poucos. Recuperei. Um sopro de ar entrou pela janela e passou-me pelo braço nu onde senti uma picada. Olhei e vi uma agulha com uma cauda ligada a um saco que me passava um líquido qualquer para o corpo. Senti necessidade de fugir, detestava estar preso. Não me passou mais nada pela cabeça, agarrei no palito de ferro cinzento e retirei-o com tamanha brutalidade do meu corpo, fez sair algum sangue. Arredei os lençóis para a frente e levantei-me, descalço, com as minhas calças pretas e a minha t-shirt de renda, agarrei no resto das roupas e saí daquele quarto de hospital.
— Tem calma rapaz, não fujas. — Ao ouvir esta voz virei-me no sentido do relógio e vi o homem do bar que nos tinha dito o sítio onde o Monda desaparecera. — Fiquei irritado comigo próprio depois de perceber que tinha deixado aquele jovem desaparecer diante dos meus olhos sem fazer nada, e decidi ir atrás de vocês para prevenir algo.
— Compreendo. — Disse para reconfortar o homem. — Foi o senhor que me trouxe para aqui?
— Sim, depois de ver a tua amiga a ser levada corri para ti, peguei-te e trouxe-te opara o hospital da vila. Já agora o meu nome é Tsamino, ajudo-te como quiseres.
— Deixe estar Tsamino, eu arranjo-me sozinho. — Agradeci-lhe com um sorriso.
— Eu tenho dinheiro suficiente para chamar-mos ninjas de Suna, quanto mais apoio melhor. — Nesse momento temi ainda mais, não podia ser apanhado por ninjas normais, afinal de contas sou Nukenin.
— Obrigado Tsamino-san, mas não gosto de ficar em dívida com ninguém, muito obrigado mas como lhe disse vou avançar por mim.
— Se é mesmo isso que tu queres, posso te pedir que tragas a esta vila a paz e as pessoas perdidas? — Pediu-me Tsamino quase demente.
— Sim. — Respondi fechadamente, voltei as costas e coloquei o resto das roupas.
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Avancei pelo labirinto sempre com a sensação de que estava a ser perseguido, não sei se a sensação era real ou apenas o medo a induzir-me psicologicamente. O que era certo é que da última vez que ali tinha estado alguém nos atacara, e não era ninguém fraco, antes pelo contrário. Com um golpes apanharam a Taka, e o Monda, também ele tinha sido facilmente raptado. Dobrei uma esquina apertada com as paredes dos edificios tão diagonal que pareciam cair para cima de mim, ao voltar-me para a outra rua saltei para trás com o susto. Uma caveira chifruda encontrava-se na cabeça de uma estátua, uma mistura de uma mulher com cabeça de rinoceronte grutesca. Recuperei o fôlego e a velocidade do meu coração voltou ao normal, continuei a avançar pelas ruas assustadoras, ruas que pareciam cada vez encolher mais. Voltei a passar por um brasão enferrujado, com um pedaço de ferro pendurado e o parafuso a soltar-se aos poucos. Já o tinha visto duas vezes antes quando ainda estava com a Taka, mas desta vez houve algo nele que me despertou a atenção. Algo que sem conhecer Tsamino era impossível. No brasão haviam sido desenhadas cabeças decapitadas, caveiras com minhocas a sair pelo olho, mas o que me saltou à vista foram as letras "S", "A", "T" cravadas de maneira aleatória. Fiquei chocado ao ver as letras, mas quando passava com os dedos para ver se tudo isto era real, senti a textura do "S" ser pressionada para dentro da parede. Do outro lado, uma porta ocultada pelo muro revelou-se abrindo-se para fora. Estava pasmado, queria afastar-me de tudo, queria ter tomado outras decisões, mas agora não havia nada a fazer tinha de enfrentar o meu destino e mostrar-lhe que sou muito mais forte que ele.
Entrei pela porta, assustei-me novamente. Não com todos os esquelos e insectos que faziam de tapete da sala, mas sim pelas partes do corpo mutiladas de todas as maneiras. Havia uma cabeça, ainda recente com pele esburacada e de cabelos secos, com os olhos esbugalhados bem abertos quase a sair do seu lugar. A boca estava aberta com um braço lá dentro cortado do ombro ao pulso. O pulso cortado estava cheio de larvas enfiado brutalmente na boca da cabeça que tinha os cantos dos lábios rasgados e com sangue seco, já negro. Ao lado desta encontravam-se outra mutilações e construções com esta, corpos femininos decepados nos seios com os membros inferiores a substituir os superiores. Nesse vomitei-me, apenas água. Quem seria capaz de tal brutalidade? Certamente uma mente desiquilibrada, alguém sem escrúpulos, e pelo que me pareceu anteriormente, não era apenas uma pessoa...