Selim caminhava pela floresta na fronteira entre Sunagakure e o país do Rio. Os seus olhos estavam vendados, como de costume. Sentia que só assim aprendera a apreciar a natureza. Parou por momentos, espalhando um pequeno impulso de chakra pelo ambiente em busca de fontes de água próximas e sentiu algo que não esperava.
A poucos metros dois homens paravam, em cima das árvores. As posições que ocupavam não deixavam margens para dúvidas, observavam-no. Continuou a caminhar casualmente, colocando as mãos por dentro do kimono e agarrando uma kunai em cada uma, à cautela. Não sabia se se tratavam de nukenins ou caçadores de nukenins, mas não importava, o som dos seus corações ecoava como um trovão aos seus ouvidos. Aproveitou os momentos de espera enquanto transmitia o seu chakra às kunais, passando-lhes autênticas visões do interno para aqueles que atingissem. (Magen: Jigoku Kōka no Jutsu)
Ouviu um sussurro na noite como uma corrente e não perdeu tempo. Saltou agilmente e arremessou uma kunai para cada um dos alvos simultaneamente. O elemento surpresa favoreceu-o e uma delas atingiu o alvo. Retirou mais duas kunais e arremessou-as ao homem, agora paralisado pela ilusão. O seu companheiro bloqueou ambas as facas com uma corrente. Selim demorou demasiado a ver o que a corrente segurava antes de ver a foice que se dirigia à sua cara com um silvo.
Instantaneamente deixou o seu chakra fluir até à boca e saltou uma serpente. A cobra rapidamente cuspiu uma espada, Asura, que bloqueou a foice do adversário. Não perdeu tempo com a surpresa do inimigo, dobrou as mãos em 3 selos rápidos enquanto projectava o seu chakra para o seu adversário. Agarrou num torrão de terra e soprou-o. Os grãos de terra saíram da sua mão sob a forma de pétalas e o seu adversário pareceu confuso. Na sua mente, o campo de batalha alterava-se a cada pétala que tão somente lhe passasse pela pele.
O companheiro não tardou a saltar sobre ele e executar o “Kai” que quebrou a ilusão. No entanto, a pausa dera a Selim tempo suficiente para recuperar.
“ É problemático lutar contra mais do que um enquanto uso apenas genjutsu”, reflectiu, “nesse caso…” O seu raciocínio foi quase demasiado lento, pois já uma saraivada de kunais chovia sobre ele. Desviou-se de duas com um shunshin e deflectiu outras duas com Asura, mas não evitou as senbons que o atingiram na perna. Passou a mão na perna ensanguentada enquanto focava o seu chakra. As suas mãos moveram-se em selos rápidos.
- Kuchiyose no Jutsu!
A clareira pareceu alargar subitamente e Selim viu-se subitamente acima das árvores, sobre a cabeça enorme de Schneizel, a sua serpente. Os adversários pareceram impressionados, como planeara e não podia deixar de usar o surgimento da enorme serpente em seu favor. Arrancou as 3 senbons da perna com uma mão enquanto deixava o seu chakra fluir pelo braço oposto. Uma pequena cobra esverdeada emergiu e fincou os dentes sobre as feridas na sua perna. O seu veneno coagulante estancou a hemorragia rapidamente.
Os ninjas recompunham-se e já preparavam o próximo ataque. Selim mal foi a tempo de agir quando viu que ambos se lançavam sobre Schneizel.
- HEY! – Gritou positivamente enervado – Porque não te metes com alguém do teu tamanho?!
Os ninjas pareceram hesitar, olhando para cima. A serpente não perdeu tempo e emitiu um flash de luz que cegou temporariamente o inimigo. Selim cerrou os olhos e lançou-se em queda livre com Asura em punho e fazendo o seu chakra correr pelo gume. A distracção não durou muito e os inimigos rapidamente quebraram a ilusão com um kai. Selim ergueu a espada para o primeiro ninja que tentou bloquear com a sua foice. Isto é, antes de um longo e profundo corte surgir ao longo das suas costas.
Os ninjas pareceram surpreendidos mas Selim não esperou que se recompusessem. Avançou de novo para o companheiro do seu inimigo erguendo a espada num novo ataque. Mais uma vez, o adversário defendeu com a sua foice e a imagem de Selim à sua frente desvaneceu-se, enquanto um corte profundo surgia sobre as suas costas e o deixava imóvel no chão.
- É uma das maiores dificuldades para um utilizador de Genjutsu – confessou em voz alta – combater contra dois adversários simultaneamente que podem quebrar ilusões mutuamente. Por isso a solução é simples, Genjutsu sobre Genjutsu – disse erguendo a espada – bastou-se usar Asura depois de quebrarem a ilusão para.
- A culpa é tua por assumires que somos apenas dois!
A dor atingiu-o antes de conseguir sequer olhar. O pontapé foi tão forte que temeu ter partido costelas quando embateu na árvore em frente, largando a katana. Desorientado olhou em volta, apenas para ver um terceiro ninja que fazia já chover uma saraivada de kunais sobre ele. Substituiu-se por um tronco próximo sem hesitar, sacando já dum pergaminho. A sua tripla foice surgiu no ar e correu para o adversário. Deixou finalmente o chakra fluir livremente pelos seus olhos e não tardou a encontrar a espada do inimigo. A foice pareceu vibrar por inteiro. O inimigo era mais rápido, certamente, mas Selim tinha a vantagem. O seu Geass lia perfeitamente os medos do inimigo e não era difícil ler os seus movimentos futuros nos seus olhos. O metal vibrou no metal durante alguns segundos, até a enorme cabeça de Schneizel se abater, de presas abertas sobre o sítio onde estava o inimigo. Este desviou-se com um rodopio, aproveitando a oportunidade para cruzar as suas mãos em selos.
- NEM PENSES! – gritou Selim, focando chakra no seu olho esquerdo. O adversário incorreu no erro de trocar um olhar com ele e logo o seu mundo escureceu. A ilusão de Selim abateu-se sobre ele como uma tempestade e a sua mente quase quebrou. Mas a manobra custara caro a Selim. Gastara demasiado chakra com os outros dois e não lhe restavam grandes alternastivas. Schneizel desvaneceu-se numa nuvem de fumo e o rapaz voltou a apanhar Asura do chão. O adversário parecia atarantado, mas quase recuperado.
Selim correu agilmente de katana em riste, pronto para o golpe de graça. Estendeu a palma da mão aberta ao adversário enquanto o fitava e logo um mar de serpentes saltou do chão para o abocanhar (Hebi Ana). A sua surpresa foi tudo o que o nukenin precisava. Aproximou-se do adversário com um shunshin e lançou Asura ao seu pescoço, num golpe que pretendia ser letal. O ninja sorriu erguendo a sua própria katana para o que teria sido um bloqueio perfeito. Fingira apenas ser apanhado na ilusão para poder apanhar Selim desprevenido.
- Acab.. – não acabou a frase. Asura, que parecera ainda distar vários centímetros do seu corpo, acabara de lhe cortar um ombro.
Selim afastou-se sorridente.
- A culpa é tua por assumires que sabes tudo sobre a minha espada. É verdade, Asura inverte os sentidos de todos aqueles que a vêem, mas não é apenas isso que faz – explicou solenemente – A katana manipula a sensação do fluxo de tempo de todos os que a vêem. Bastou acreditares que tinhas tempo para bloquear para seres derrotado.
O homem gemia no chão, agarrado ao braço, enquanto os seus dois companheiros latiam. Observou pela primeira vez as suas bandanas. Eram ninjas de Kusagakure, não tinham sido enviados para o capturar, apenas tiveram a infelicidade de o encontrar.
Retirou do bolso do kimono um frasco com o veneno que usara antes.
- Deve ajudar as feridas a coagular – disse, pousando o frasco no chão, divertido com a incredulidade dos ninjas que acabara de enfrentar – Até à vista. E com isto afastou-se velozmente da clareira.